A ilha
A uma ilha isolada do resto do mundo foram parar dois náufragos.
Um não falava, só ouvia. O outro só ouvia, não falava. Quando se encontraram, foi uma maravilha ver outro ser humano, alguém com quem falar. Mas não foi preciso muito tempo até se aperceberem do defeito do outro. Porém, fartos de estar sozinhos naquela ilha perdida, continuaram juntos. Lá se iam entendendo, repartindo as tarefas para sobreviverem, mas volta e meia surgia a discussão: o que não falava ficava zangado ao ouvir o que o outro dizia e o que não ouvia chateava-se do outro não lhe responder. O que não falava chateava-se por o que não ouvia não perceber que ele não conseguia falar e o que não ouvia ficava chateado por não obter resposta, embora não ouvisse.
Um dia chatearam-se a sério e separaram-se, indo cada um para uma ponta da ilha. Zangados ao princípio, aos poucos foram percebendo a falta que o outro lhe fazia mas, orgulhosos, nenhum queria tomar a iniciativa de ir ter com ele. Porém, um dia a ilha foi assolada por uma tempestade como eles nunca tinham visto. Ondas enormes galgaram as terras mais baixas, o vento derrubava as árvores à sua passagem, da montanha rolavam pedras enormes que espezinhavam tudo à sua passagem. Sozinhos, cada um procurou abrigo, e enquanto a tempestade não passou sentiram-se muito angustiados por não saberem do outro. Mal a tempestade passou, cada um foi à procura do outro. Quando se encontraram, caíram nos braços um do outro.
Ao seu lado descobriram uma rocha que uma pedra solta alisara. Aí realizaram que se não se podiam falar, nada os impedia de escrever. Quando surgia algum problema, iam lá e escreviam até se entenderem.
Muito tempo depois, já os dois homens tinham morrido, um navio desembarcou na ilha e descobriu os vestígios dos dois habitantes. Ao descobrirem a tal rocha, acharam curioso que a segunda palavra que os dois homens mais tinham escrito foi “desculpas-me?”.
A primeira?
“Amigo”.
Um não falava, só ouvia. O outro só ouvia, não falava. Quando se encontraram, foi uma maravilha ver outro ser humano, alguém com quem falar. Mas não foi preciso muito tempo até se aperceberem do defeito do outro. Porém, fartos de estar sozinhos naquela ilha perdida, continuaram juntos. Lá se iam entendendo, repartindo as tarefas para sobreviverem, mas volta e meia surgia a discussão: o que não falava ficava zangado ao ouvir o que o outro dizia e o que não ouvia chateava-se do outro não lhe responder. O que não falava chateava-se por o que não ouvia não perceber que ele não conseguia falar e o que não ouvia ficava chateado por não obter resposta, embora não ouvisse.
Um dia chatearam-se a sério e separaram-se, indo cada um para uma ponta da ilha. Zangados ao princípio, aos poucos foram percebendo a falta que o outro lhe fazia mas, orgulhosos, nenhum queria tomar a iniciativa de ir ter com ele. Porém, um dia a ilha foi assolada por uma tempestade como eles nunca tinham visto. Ondas enormes galgaram as terras mais baixas, o vento derrubava as árvores à sua passagem, da montanha rolavam pedras enormes que espezinhavam tudo à sua passagem. Sozinhos, cada um procurou abrigo, e enquanto a tempestade não passou sentiram-se muito angustiados por não saberem do outro. Mal a tempestade passou, cada um foi à procura do outro. Quando se encontraram, caíram nos braços um do outro.
Ao seu lado descobriram uma rocha que uma pedra solta alisara. Aí realizaram que se não se podiam falar, nada os impedia de escrever. Quando surgia algum problema, iam lá e escreviam até se entenderem.
Muito tempo depois, já os dois homens tinham morrido, um navio desembarcou na ilha e descobriu os vestígios dos dois habitantes. Ao descobrirem a tal rocha, acharam curioso que a segunda palavra que os dois homens mais tinham escrito foi “desculpas-me?”.
A primeira?
“Amigo”.
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