Fugir
"Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não o alcançares não descances, de nenhum fruto queiras só metade" - Miguel Torga
Às vezes apetece-me fugir. Despedir-me sem dizer a ninguém que ia desaparecer por uns tempos. Ir longe o suficiente para perceber do que sentia falta, de quem sentia saudades. Perceber ao que dou valor na vida.
Já sei que ia passar noites em que só me lembraria do quente da minha cama.
Já sei que ia sentir falta daquele abracinho que dou à minha mãe, quando não me apetece largá-la, seguido de um beijinho, quando ela cheira a minha mãe.
De resto não sei do que sentiria falta. Aliás, acho que é por achar que ia sentir falta de muito pouca coisa e de muito pouca gente que queria fugir. Livrar-me do que é supérfulo na minha vida. Buscar o verdadeiro significado das coisas. Saber o que cada um vale para mim. Chegar à felicidade de perceber que aquele tipo ou aquela amiga era a pessoa que eu mais desejava ter ao lado. Perceber que há meses que não me lembrava de tal pessoa e perceber que se calhar não era apenas por falta de lembrança mas apenas porque afinal ela não me diz nada.
Cada vez mais prezo a saudade, cada vez mais gosto de sentir saudades de alguém. Cheguei a uma fase da minha vida em que tenho quase tudo e que percebo que esse quase tudo às vezes é quase nada. Não percebo porque continuo a ir a certos sítios, continuo sem saber porque continuo a fazer certas coisas, continuo sem perceber porque continuo a dirigir certas palavras. Mas principalmente continuo sem perceber porque ainda interpreto certos personagens.
Gostava de saber quem ia procurar por mim. Não para alimentar o meu ego, que esse está bastante obeso, mas para saber quem, por seu lado, também sentiria a minha falta. Saber quem realmente se preocuparia comigo. Saber quem iria sentir a minha ausência pelo gozo que tem em ter-me na sua vida. Sinto a falta de alguém que olhe para mim e eu perceba que é a sério. Já tive amigos inseparáveis dos quais um dia tive de me separar. Mas volta e meia lá surge outro amigo inseparável que mais tarde ou mais cedo vai deixar de o ser. Hoje sinto falta de um abraço sincero. Hoje sinto falta daquela frase que me deixa de joelhos. Hoje sinto falta de quem me diga que é meu amigo nos olhos e eu sinto que é para sempre. Onde raio é que se meteu toda aquela gente que me fazia sentir tão especial?
Mas acho que, acima de tudo, queria poder sentar-me num telhado a olhar de cima uma qualquer cidade, e poder ver a minha vida com se fosse um espectador. Acho que, no fundo, no fundo, só queria ter a humildade de me rebaixar e perceber o que ando cá a fazer. Acho que só queria voltar às origens e perceber para onde quero ir e com quem o quero fazer.
Só queria voltar a encontrar aqueles dias de sol que repletam as minhas memórias.
Só queria encontrar aquela simplicidade que está algures perdida por ai.
Só queria, quando voltasse, deitar-me na minha cama e lembrar-me do quão bem cheira.
Só queria, quando voltasse, chorar no colo da minha mãe.
Só queria, quando voltasse, olhar para ti e ver-te pela primeira vez...
Às vezes apetece-me fugir. Despedir-me sem dizer a ninguém que ia desaparecer por uns tempos. Ir longe o suficiente para perceber do que sentia falta, de quem sentia saudades. Perceber ao que dou valor na vida.
Já sei que ia passar noites em que só me lembraria do quente da minha cama.
Já sei que ia sentir falta daquele abracinho que dou à minha mãe, quando não me apetece largá-la, seguido de um beijinho, quando ela cheira a minha mãe.
De resto não sei do que sentiria falta. Aliás, acho que é por achar que ia sentir falta de muito pouca coisa e de muito pouca gente que queria fugir. Livrar-me do que é supérfulo na minha vida. Buscar o verdadeiro significado das coisas. Saber o que cada um vale para mim. Chegar à felicidade de perceber que aquele tipo ou aquela amiga era a pessoa que eu mais desejava ter ao lado. Perceber que há meses que não me lembrava de tal pessoa e perceber que se calhar não era apenas por falta de lembrança mas apenas porque afinal ela não me diz nada.
Cada vez mais prezo a saudade, cada vez mais gosto de sentir saudades de alguém. Cheguei a uma fase da minha vida em que tenho quase tudo e que percebo que esse quase tudo às vezes é quase nada. Não percebo porque continuo a ir a certos sítios, continuo sem saber porque continuo a fazer certas coisas, continuo sem perceber porque continuo a dirigir certas palavras. Mas principalmente continuo sem perceber porque ainda interpreto certos personagens.
Gostava de saber quem ia procurar por mim. Não para alimentar o meu ego, que esse está bastante obeso, mas para saber quem, por seu lado, também sentiria a minha falta. Saber quem realmente se preocuparia comigo. Saber quem iria sentir a minha ausência pelo gozo que tem em ter-me na sua vida. Sinto a falta de alguém que olhe para mim e eu perceba que é a sério. Já tive amigos inseparáveis dos quais um dia tive de me separar. Mas volta e meia lá surge outro amigo inseparável que mais tarde ou mais cedo vai deixar de o ser. Hoje sinto falta de um abraço sincero. Hoje sinto falta daquela frase que me deixa de joelhos. Hoje sinto falta de quem me diga que é meu amigo nos olhos e eu sinto que é para sempre. Onde raio é que se meteu toda aquela gente que me fazia sentir tão especial?
Mas acho que, acima de tudo, queria poder sentar-me num telhado a olhar de cima uma qualquer cidade, e poder ver a minha vida com se fosse um espectador. Acho que, no fundo, no fundo, só queria ter a humildade de me rebaixar e perceber o que ando cá a fazer. Acho que só queria voltar às origens e perceber para onde quero ir e com quem o quero fazer.
Só queria voltar a encontrar aqueles dias de sol que repletam as minhas memórias.
Só queria encontrar aquela simplicidade que está algures perdida por ai.
Só queria, quando voltasse, deitar-me na minha cama e lembrar-me do quão bem cheira.
Só queria, quando voltasse, chorar no colo da minha mãe.
Só queria, quando voltasse, olhar para ti e ver-te pela primeira vez...
2 Comments:
eu sinto a tua falta nas aulas de direito, se isso te faz sentir minimamente melhor! you rock my classes! tigas e jota imparabilissimos. inspiras as minhas sms (: **** mts bjs k.
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Anónimo, at 10:06 p.m.
Abri a página muitas vezes e li o texto outras tantas antes de decidir o que ia fazer...não sabia se o comentava ou não, não sabia o que iria escrever, não sabia se valia a pena escrever coisas desajustadas, sem sentido algum, que eram "apenas" um comentário ao texto que escreveste...mas hoje, depois de uma hora e tal a conversar contigo percebi que era desajustado dizer tudo aquilo que queria dizer! Percebi que te entendo demasiado bem para comentar o texto como se dele não retira-se nada e dele nada percebe-se...
Apetece-me fazer um comentário bem grande, daqueles que ficam na memória, não pelo prazer de me vires dizer depois que gostaste (ou não!!), mas porque acho que agora entendo tudo muito melhor!
Gosto de ver como mostras às pessoas, através dos teus textos, aquilo que às vezes tenho a sensação que ninguém entende...gosto de ver esse teu lado mais humilde, mais ingénuo, mais crédulo, mais sentimentalista, que te fica tão bem, gosto de ver que temos as mesmas ideias e pensamos da mesma forma, gosto de ver que afinal és aquela pessoa espectacular que eu sempre soube que eras mas que nunca o demonstra, por medo, por achar que as máscaras às vezes funcionam melhor, por um rol de coisas que nem tu sabes bem... gosto de ver a tua preocupação com os outros e a tua constante busca por algo que faça sentido e por um lugar no mundo...
O facto de não sentirmos saudades das coisas que temos, faz-nos pensar que se calhar elas não são tão valiosas e tão importantes como pensavamos que fossem...dizerem-me que sentiram saudades é, para mim, o melhor elogio que me poderiam dar! É sentir que aquela pessoa é importante para mim, mas que eu também o sou para ela... é ver que, depois de muito tempo, foi como se o tempo não tivesse passado, como se o relógio tivesse parado e tudo está como sempre foi e como sempre gostámos que fosse! Às vezes, não precisas de senitr suadades, não precisas das frases bonitas para perceberes que é para sempre... às vezes, um simples gesto explica tudo...às vezes temos de ver o que está por trás e deixarmo-nos levar sem perguntas...
às vezes, o primeiro passo é o mais importante...
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Anónimo, at 8:17 a.m.
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